Não há nada de novo no Atlético Goianiense

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2018 não será nada fácil para o torcedor atleticano

O ano do Atlético Goianiense começa ruim pela terceira vez seguida. Sem base, sem identidade, sem entrosamento, o planejamento se inicia com um amontoado de atletas que nunca atuaram juntos. O departamento responsável pela vinda de jogadores adotou uma política altamente especulativa, rebaixando o seu futebol profissional à condição de um mero jogo de azar. A cada temporada que se inicia, depositam uma nova ficha no caça-níquel e, em seguida, a alavanca é puxada.

Mas quem sofre com a expectativa dessa aposta? A diretoria? Claro que não! São os cada vez mais minguados torcedores, que são obrigados a testemunhar uma série aleatória de elencos que nem chegam a conquistar o direito de serem medíocres. E não adianta vir aqui dizer que o futebol é muito difícil. Do mesmo jeito que o sucesso acumulado respalda e legitima um grupo, os fracassos também se acumulam e denunciam a fragilidade desse modo mirabolante de fazer futebol.

No fim de 2017, quando João Paulo Sanches foi sacramentado como técnico efetivo, acreditei que uma nova visão se instalaria nos corredores do clube. Provavelmente, com a manutenção de uma base, João Paulo teria maior facilidade para montar uma equipe pudesse se entrosar ou, no mínimo, apresentar uma proposta de jogo inteligível. Contudo, assim como foi feito com o Marcelo Cabo, João tem que reinventar uma equipe de futebol da noite para o dia.

Para não dizer que tudo será como antes, vale aqui destacar que a torcida já fez um expressivo protesto contra os dirigentes que se encontravam no Estádio Olímpico, na última quarta-feira. A revolta demonstra que os louros do passado já perderam o viço na memória do torcedor atleticano. Ele carece e demanda uma concepção nova para o futebol rubro-negro. No entanto, em resposta, os mesmos dirigentes de sempre fazem as ameaças e o xingatório de sempre contra o maior patrimônio de qualquer equipe de futebol.

A impressão que dá é que o Atlético Goianiense virou uma cópia da novela “Malhação”, onde a cada temporada temos um elenco inteiramente novo. Mas aí cabe lembrar que um time com oitenta anos de história não pode ser equiparado à uma narrativa ficcional adolescente. A situação ruim pode vir a se aprofundar cada vez mais. E não haverá um mocinho que, por um toque de mágica, será capaz de anular as marcas profundas que esse modo especulativo e autocentrado de gestão deixa no coração do torcedor.

É duro ter que falar isso, mas 2018 tem tudo para vir a ser um dos piores anos na história recente do clube. Contudo, esse mesmo ano tem tudo para ser o último em que práticas escandalosamente aventureiras não tenham mais espaço no Atlético Goianiense.

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