Do início no Accioly ao final no Olímpico – 2016 o ano do Dragão

2016 foi um ano daqueles diferenciados para o torcedor atleticano, com certeza nem o mais otimista dos rubro-negros imaginaria as glórias que lhe estavam reservadas. O clube começou o ano voltando a jogar no Estádio Antônio Accioly, local onde não realizava uma partida oficial desde 2010, e terminou o ano celebrando um título nacional no Estádio Olímpico, onde não jogava desde 2004.

A mística que envolve o Atlético Goianiense é algo que não cabe nas frias previsões dos analistas esportivos. Tudo em torno do Dragão Goiano respira História, e não é por acaso que foi em um ano onde voltou a jogar no Accioly e no Olímpico, dois templos históricos do futebol goiano, os dois mais antigos estádios de Goiás, que o Dragão celebrou sua glória máxima, um campeonato nacional sobre o gigante Vasco, sobre o tradicional e vitorioso Bahia e ainda sobre os rivais Goiás e Vila Nova. Os Deuses do Futebol, em sua gigante sabedoria, quiseram que o primeiro time goiano a ganhar um título nacional, o Torneio da Integração Nacional, em 1971, voltasse 45 anos depois ao mesmo palco – cruelmente fechado para o público goiano por 10 anos – para ter a honra de reinaugurar esse espaço e sagrar-se ali novamente campeão nacional.

Caro leitor, você acreditaria se te falassem que em 2016 o Atlético ganharia um titulo brasileiro sobre Vasco, Bahia e ainda teria mais de 20 pontos na frente de Goiás e Vila? Que a torcida do Atlético seria maior que a do Goiás em um clássico? Que o Estádio Olímpico seria reinaugurado? Que haveria jogo do Dragão no Estádio Antônio Accioly?  Que o Atlético teria media de publico superior a Goiás e Vila em 2016? Que a torcida do Atlético lotaria todos os jogos no Estádio Olímpico? Pois é, tudo isso aconteceu.

 

E qual foi o cenário que antecedeu a tudo isso? Como o Atlético chegou em 2016 para acabar com as previsões e expectativas de muitos? O Atlético vinha desacreditado, de um tenebroso 2015, onde sequer havia chegado às semifinais do campeonato goiano, e na série B escapou do rebaixamento somente nas ultimas rodadas. No clube só se falava em crise, dívidas, e se aventou até a possibilidade de acabar com o campo de futebol do Estádio Antônio Accioly, para torna-lo um Shopping. Parecia que tudo conspirava para que o futebol goiano voltasse a ser polarizado pela rivalidade Goiás versus Vila Nova, parecia também ser o que alguns da imprensa desejavam. Tanto é que já no início de 2016 a TV Anhanguera praticamente excluiu o Atlético das transmissões do Campeonato Goiano, só transmitiu jogos de Vila Nova e Goiás, o Dragão só apareceu quando jogou contra um desses dois e em um jogo da semifinal contra o Anápolis. No início da serie B a maior radio esportiva de Goiás, a Rádio 730, não cobria os jogos do Atlético fora do estado, só mandava profissionais para acompanharem os jogos de Goiás e Vila Nova.

Porém, mais uma vez contrariando prognósticos, o Dragão com sua mania de ressurgir das cinzas fez de 2016 um ano espetacular. Terminou o ano como campeão nacional, melhor média de público entre os clubes do centro-oeste, e levou até o titulo da Musa do Goianão, com a bela Skarllet Rosendo. Foi um 2016 onde o Atlético bateu o Goiás do começo ao fim do ano, com direito a gol olímpico e gol de goleiro no Campeonato Goiano e goleada e volta olímpica na Serie B do Brasileiro. Ganhou também do Vila e manteve a escrita de nunca ter perdido para o colorado em jogos do Brasileirão Série B.

E esse ressurgimento para a gloria, em 2016, não poderia ter começado em outro lugar, o Dragão começou com o “pé direito”, ao fazer sua primeira partida do ano no Accioly e embalou de vez ao chegar mais perto de Campinas e do seu torcedor ao finalizar a Serie B no Estádio Olímpico.

 

O que pouca gente percebeu é que o Dragão estava se reaproximando de sua torcida, e quando isso acontece ninguém segura o rubro-negro. Tudo começou no primeiro jogo do ano, amistoso contra o Gama-DF em janeiro de 2016 no Estádio Antônio Accioly. Quem passou pelo estádio do Atlético no inicio de 2015 jamais sonharia em ver um jogo no local. A maioria das arquibancadas estavam quebradas, havia um buraco gigante entre a arquibancada e a lateral do campo, muros ruindo, mato, entulho… E um estacionamento nos dias de semana. Porém a Diretoria foi agindo silenciosamente, criou um alojamento para as categorias de base embaixo das arquibancadas, recuperou o campo, as equipes de juniores do Dragão passaram a jogar lá, muros e salas reformadas, sistema elétrico e de saneamento trocados, e arquibancadas em plena recuperação. Resultado: a torcida viu o clube voltando às suas origens, para sua casa e abraçou a causa. Público de mais de 3.000 pessoas em um amistoso, e só não entraram mais porque não cabia, pois uma parte estava interditada para as obras. Goiás e Vila Nova, em jogos amistosos também em janeiro colocaram pouco mais de 1.000 torcedores em seus estádios.

E cá entre nós, a mística do Accioly não falha, desde que foi reinaugurado esteve intrinsicamente ligado às boas campanhas do clube.  A reinauguração do Estádio Antônio Accioly em 2005, sediando jogos até 2010, coincide com o auge mais recente do Dragão. Foi quando o clube teve as melhores médias de publico, o torcedor se aproximava da equipe e depois passava a frequentar mais até o próprio Serra Dourada. Por outro lado a queda do Atlético coincide com o abandono do Accioly e seu distanciamento de Campinas.  Mesmo com um único jogo no Accioly em 2016, um amistoso, só o fato de levar o torcedor de volta para ver o Dragão em Campinas já abençoou o clube para o resto da temporada e mexeu com a esperança do torcedor.

 

Se em 2016 não se pode negar que a torcida continuou afastada do frio e distante Serra Dourada, o recado já tinha sido dado, como diz o grito de nossa torcida organizada: SOMOS DO BAIRRO DE CAMPINAS. Foi o time passar a jogar no Estádio Olímpico, o nosso salão de festas, próximo da nossa Campininha das Flores, que a torcida passou a ter médias de público fantásticas, lotando todos os jogos, com uma média acima de 11.000 presentes por jogo. A torcida se empolgou e aumentou seu número até no Serra Dourada, sendo maior que a torcida esmeraldina no clássico onde aplicamos 4 a 2 no Goiás. Foi o reforço daquela máxima, quanto mais próximo de Campinas estiver o Atlético, maior será a presença da torcida.

 

Esse apoio do torcedor foi o combustível final para a arrancada do Dragão rumo ao título, contra tudo e contra todos o Atlético está na série A, ganhou o título mais expressivo da história do futebol goiano, sobre um dos grandes do Eixo RJ-SP-MG-RS, e se tornou o maior campeão brasileiro do centro-oeste, com quatro títulos.

Do Accioly ao Olímpico a saga do Dragão em 2016 ficará gravada para sempre nos corações e mentes dos atleticanos e será contada por gerações e gerações. 2016 marca o reencontro do clube mais tradicional de Goiás, e agora o maior campeão nacional dessas redondezas, com suas raízes e sua historia. Viva o Dragão !! Quanto mais próximos de nossas raízes, maior a comunhão torcida e clube, e maiores serão nossas vitorias. Nossa casa é o Accioly, nosso salão de festas é o Olímpico, com essa combinação não tenho dúvidas, o céu é o limite.

 

Paulo Winicius Maskote é Historiador, Professor e Mestre em História pela UFG

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