2019: O Ano do Dragão, do Accioly e da Torcida Campineira (Parte 2)

Na jornada do Atlético Goianiense no Brasileirão Série B 2019, mesmo frente à oscilação do time, o torcedor não ficou devendo, com médias de público bem superiores aos anos em que a equipe jogava no Serra Dourada, a média final de público de 2019 do Dragão foi de 4.205 torcedores (Fonte: Jornal O Popular de 21 de dezembro). Episódio a parte na relação entre o torcedor e o acesso à série A está no desafio lançado pelo presidente Adson Batista, no final do mês de outubro, de que se houvesse mais de 5.500 pagantes no jogo contra o América-MG, adversário direto pela vaga ao acesso, o preço do ingresso cairia para 20 reais. Desafio aceito e cumprido, estiveram presentes quase 7.000 atleticanos (5.715 pagantes e 6.712 presentes), e então nas 3 rodadas seguintes que restavam no Accioly o ingresso se manteve mais barato. A torcida deu um show nas arquibancadas, de lembrança triste desse jogo somente o fato de tomarmos o gol de empate nos acréscimos e o placar de 2 a 2.

A torcida do Dragão mostrou nessa série B o porquê de ser a mais fiel e resistente desse Estado, – porque sobreviver aos jejuns de títulos que vivemos nos anos 70 e 90, e tentativas de destruição do Accioly, não foi fácil – mesmo quando o time oscilava a torcida não deixava de fazer sua parte,  surgiam as mais diferentes ações e movimentos de torcedores, e com certeza essa é outra grande vitória a ser comemorada em 2019: o crescimento, organização e protagonismo da torcida. Tivemos: carros de som mobilizando a torcida na região de Campinas por vários dias, em uma ação realizada pela ACAD (Associação de Torcedores Antônio Accioly e por comerciantes campineiros); Recepção e apoio aos jogadores no aeroporto puxada pelos Amigos do Dragão; e ainda a linda festa da Rua de Fogo recepcionando os jogadores no Accioly em partida decisiva contra o Paraná Clube, organizada pela TDA (Torcida Organizada Dragões Atleticanos). Além disso, tivemos ações externas e também no estádio das torcidas Dragões Chopp e do novo grupo Dragões do Alambrado.

Aliás, merece uma menção especial o surgimento desse movimento de torcedores “Dragões do Alambrado”, uma turma que só assiste aos jogos no alambrado do Accioly. Algo incrível em tempos de mercantilização e “arenização” do futebol, só o time mais raiz da próxima série A poderia ter uma torcida dessa, ou como diria nosso grande assessor de comunicação do Atlético, Álvaro de Castro, só “O maior time de bairro da série A” poderia ter isso, a exemplo da linda tradição de times de bairro na Inglaterra (Totenham, Crystal Palace) e na Argentina (San Lorenzo, Lanús). Cada vez mais a nossa torcida, que canta nas arquibancadas “Somos do bairro de Campinas, bairro de luta e tradição”, mostra pro mundo que torcer para o Atlético é também estar ligado à representação do bairro de origem do clube, torcer pelo Dragão Campineiro significa defender nossa gente, nossa região, nossas raízes, o time da Vila Operária, o clube do povo, e isso não é só futebol.

Enfim, em meio a todas as dificuldades, não foi à toa que o Estádio Antônio Accioly e a torcida atleticana foram tão elogiados nas transmissões da SporTV, que chamavam nosso estádio de muito “charmoso e aconchegante” e também nas entrevistas dos jogadores, que em vários jogos saíram elogiando o apoio e força que vinham das arquibancadas.

Por fim, se chegamos a nosso objetivo nesse ano de 2019, temos um grande maestro a frente disso, e, aliás, uma pessoa com muita competência e estrela. Se chama Adson Batista, que em seu primeiro ano como presidente do clube já se consagrou, agora mais do que um ótimo administrador e trabalhador do Atlético, se afirmou como o líder dessa campanha linda. Adson em 2019, pôde celebrar e sentir o abraço, o carinho, da torcida invadindo o Accioly, tanto no Campeonato Goiano como no Brasileiro. Adson sorriu e chorou junto, se fez e faz cada dia mais atleticano, apaixonado, estará registrado para sempre na galeria dos presidentes vitoriosos desse clube, no hall dos que fazem do Dragão cada dia maior e sintonizado com sua bela história. Um time que tem passado, presente, e futuro de glórias, e que sem dúvida, ninguém falará desse clube sem falar em Adson Batista.

Fica esse 2019 em homenagem àqueles que trabalharam arduamente por essa conquista e outros que torceram e se alegraram profundamente: Sebastião Santana, Júnior Mortosa, Maurinho, Julio Cesar da Caixa, Marcos Egídio, Carlos Henrique, Aline, Muriely, Paulo Marcos, Marcelão, Nícolas, Iura Mendonça, Divinão, Pai Véi, Profeta, Dona Shirley, Maria Leila Marques, Horieste Gomes, Morais, Gomes Leiloeiro, Dalvo de Paula, Ricardo Manzi, Bira, Ivo, Leonardo Bariani, Elpídio, Rogério Borges, Weldes Índio, Nilton Veiga, Renato Rafael, Carlos, Eládio, Patricia Neris, Cleber Ferreira,  Pedro Célio, Prof. Juarez Barbosa, Bariani Ortencio, Morga, Pedro Bala, Valdeir, Jair Porrete, Lindomar, Wesley, Anailson, Julio Cesar Imperador, Goleiro Márcio, Lino 48, Pituca, Marçal, e tantos outros que não lembrarei o nome mas que estão em estado de graça.

Em memória, dedico esse ano maravilhoso do Dragão aos que já se foram  mas que amaram e se doaram ao Atlético: Serjão, Zuíno, Plínio, Adelino, Nelson Douglas, José Mendonça Teles, Odilon, Zenha, Moacir Cícero de Sá, Edson Hermano, Omar do Carmo, Ataíde, Escurinho, Rômulo Peixoto, Álvaro Melo, Gilson Mundim, Luizinho, Epitácio, Whashinton Goiano, Tarzan, Justino Passos, Maurício “Respeita as Cores”, Barreto, Dadinho, entre tantos outros.

Esse foi 2019, um ano para fazer brilhar o Bairro de Campinas, o Accioly, fazer o Atlético se projetar de seu bairro para o mundo. Ano das defesas milagrosas de Kozlinski, das jogadas magistrais de Matheusinho, dos gols decisivos de Jorginho e Mike, da frieza do artilheiro Pedro Raul, da raça de Moacir e Gilvan e da despedida em grande estilo dos multi-campeões Bambu e Gilsinho. Viva a pátria campineira, a nação rubro-negra goiana, viva o Clube do Povo, o atual campeão goiano! O único clube goiano a ganhar um título em 2019 irá mais uma vez estar entre os maiores, na série A! Como dizia nosso torcedor símbolo: “Respeita as Cores Vagabundo!!!”.

 

Paulo Winícius Maskote– Atleticano, Campineiro, Historiador, Professor, Doutorando em História pela USP.